quinta-feira, 7 de março de 2019

Sai morte, que eu não sou forte

Ando muito preocupada comigo mesma. Há um tempinho que me vejo pensando que estou só esperando isso aqui acabar. Isso aqui a vida. Complicado ter tido e ainda ter tudo na vida e estar mal com a vida. Porque em cima de tudo que eu vou dizer, ainda vem a culpa. Moro fora em um dos melhores países do mundo para se viver. Tenho um marido que é meu melhor amigo, parceiro, amante, me acolhe, me sustenta, busca me entender e está comigo para tudo o que der e vier. Meus pais me amam, cada um nos seus ciclos e bagunças familiares mas me apoiaram a vida toda. Tenho uma avó que sou apaixonada e que me ama muito também. Amigos, esses tenho muitos foram muitas relações construídas ao longo de anos. Sempre fui faladeira e simpática. Isso trás muita gente para perto. E estou construindo a minha empresa. Já tenho há quatro anos. Mas no inicio estacionei em uma zona de conforto e fiquei por ali. Depois me mudei e durante um ano não fiz quase nada. Tentar me adaptar aqui tomava tempo suficiente. Com um ano e meio estando aqui eu resolvi dar uma guinada. Mas tudo sempre embalado de mil pensamentos, de medos, de preocupações. Não sei onde aprendi a me preocupar tanto com as coisas. Talvez já tenha vindo dentro de mim. Tipo presentinho maldito do universo. E ultimamente tem estado muito ruim, ontem procurei no google sobre tipos de depressão. Sei que olhar no google não é boa ideia, mas perguntar para a alguém que não seja um médico é pior ainda. Vou causar pânico dependendo da pessoa.
Uma amiga minha se matou, mais nova do que eu. Tomou um monte de remédios e "tchau mundo imundo". Me impactou, uma das pessoas mais inteligentes academicamente que eu conhecia, morando fora, fazendo doutorado.... Não aguentou a pressão que ela mesma se colocava. E decidiu que queria que parasse, queria dar um fim. E deu.
me preocupo comigo porque vejo minha avó e sinto inveja. Inveja dela não precisar mais se esforçar tanto para viver. Não precisa ter filhos, não precisa ganhar dinheiro através do trabalho, não precisa fazer mais porra nenhuma. Na teoria tudo é lucro. E mesmo assim ela viaja, e fala com pessoas o tempo todo, e visita amigos e netos, faz festa, toca seus instrumentos musicais....
Quem sou eu para desistir?! Quem sou eu para achar isso aqui muito difícil?! Quem sou eu?!?!
Acho que meu cérebro veio quebrado. Penso muito mas não consigo assimilar todos os pensamentos. Me preocupo muito mas não consigo achar solução para as preocupações. Quero algo simples, mas meu simples é sempre complexo!

E ai sofro. Muito.

Penso na minha amiga e lembro que na hora que ela tirou a própria vida uma das primeiras coisas que me veio na cabeça foi "pode isso?" "tá liberado?". Percebo hoje que a consequência de se fazer isso é dor e esquecimento. Ninguém quer lembrar de alguém que fez o indizível. A vida dela agora está indistintamente ligada à sua morte. Diferente se fosse um acidente ou doença. Mas a escolha de tirar a própria vida de certa forma, redefine a sua vida. E eu NUNCA faria isso com o meu parceiro. Nunca! Além disso não quero ser lembrada como ela. Com dor, falta de entendimento, como um apagão no tempo. Mas nada disso muda o fato que também já pensei que queria parar tudo. Que se a cabeça não pára, eu posso parar o corpo. Mas resisto. Meu cérebro dramático e sem freio fala dessas coisas com naturalidade demais. Me sinto tão mal de falar sobre isso com meu parceiro. Mas quando vejo já falei. Já falei e não tem volta. Já falei e fico imaginando que agora isso mora dentro dele. Que agora ele também tem medo por mim. Que ele anda pisando em ovos comigo, que ele não sabe o que me dizer ou como dizer. É uma merda.
E já que isso eu não faria, eu fico com inveja de quem já viveu tanto que pode ir sem causar tanto frisson. Apesar de que quando minha avó se for vai ser.... nem sei. Vai ser muito muito muito ruim.
No momento não vejo muito o que fazer.Estava tão animada com a minha empresa com as suas possibilidades com novas ideias. mas não vejo caminho, não vejo isso dando certo de verdade, não sei o que devo fazer nem como devo fazer. Não entendo nada de montar uma marca, definir público alvo, acertar finanças, fazer exportação, e a ideia de fazer tudo isso em um país estranho que não falo a língua, sem amigos, ou família e com a ideia insana de ter filhos me enlouquece, me desespera me da vontade de parar tudo e me esconder e deixar o mundo girar umas mil vezes e só sair do buraco muito tempo depois.

Para mim são tempos muito difíceis. Estou exausta de mim. 

segunda-feira, 4 de março de 2019

"O objetivo da vida é ser feliz"

Ausência de felicidade e infelicidade não são a mesma coisa. Seja pelas palavras serem parceiras (felicidade e infelicidade) ou por qualquer outra razão (simmm pasmem podem, e normalmente existem, muitas razões para uma coisa ser ou acontecer) a gente acabou criando a ideia de que qualquer coisa que não é felicidade é algo ruim e que não deveria estar acontecendo ou sendo vivido e sentido por nós. A não ser é claro se estiver no lado dos pensamentos positivos.... o que também não faz sentido visto que euforia e felicidade, por exemplo, são coisas diferentes. 
O me leva a querer esculhambar o idiota que inventou que "o objetivo da vida é ser feliz". Que porra é essa?!? É claro que estou sendo muito simplista quando digo que "a" pessoa que "decidiu".
Mas isso não muda o fato de que uma grande parte da população que de alguma forma se conecta com a minha vida seja por nacionalidade, tipo de trabalho, crenças religiosas e pessoais, acredita nisso. E o que vejo, em mim e em muitos é uma grande angústia e falta de amor próprio que tem como um de seus gatilhos justamente essa porcaria de objetivo de felicidade absoluta. 
Entendo que para algumas filosofias, como a que sigo, a ideia de felicidade absoluta está ligada a saber lidar com as intempéries da vida. "A dor é inevitável, o sofrimento é opcional" linda frase, mas a gente tem que estar muito bem conosco mesmo e com as fortalezas do coração e da alma bem sedimentadas para conseguir não sofrer diante da dor.

No momento não sinto dor, mas estou sofrendo. O porquê disso me é muito difícil de entender. Mas vem de um grande medo de não conseguir, junto com um grande medo de errar, salpicado de desespero de estar tão atrás nas coisas que quero conquistar, coroado com a agonia de ter que aprender tudo novo e de alguma forma com esse "novo" conseguir fazer as coisas que quero conquistar darem certo. E volta ao primeiro módulo do ciclo vicioso... 
É tragicômico. Sou super cri cri, detalhista. Isso deveria ser um céu para alguém que tem o próprio negócio. Mas não, justamente por ser detalhista não consigo me alçar na "big picture". Claro, tenho sonhos grandiosos. Trabalhar com muitas pessoas, ter um sistema que gira quase sozinho... mas quanto mais vejo e pesquiso, mais me desespero. E isso já está acontecendo há algumas semanas.
Um passo de cada vez, um dia de cada vez, uma frase de cada vez..... exaustivo e triste ao mesmo tempo. Triste porque com tanta possibilidade fico presa na dificuldade. "As pessoas bem sucedidas são aquelas que conseguem transpor a dificuldade." Ai meu caceta! E não para nunca?! 
E no meio de tudo isso vem a porra da culpa. Tem gente lutando pelo pão de cada dia, pelo direito de ser e estar. Machismo, racismo, homofobia, idiotice,... tudo isso aí banhando de lama venenosa gente boa que usa toda sua energia e mais um pouco para lidar com essas merdas o dia todo e ainda fazer o do dia a dia. Mas ai convenhamos, o que que estou dizendo? Que eu queria sofrer de todas essas coisas para então poder sofrer pelas que de fato me acometem? Ou que meus medos e problemas sao menos importantes do que os de outras pessoas?! Essa parte acho que de fato merece atenção porque apesar de meus problemas terem 100% de impacto em mim, eles são menores do que o de várias pessoas... mas porque isso não diminui minha sensação? Porque isso não melhora as coisas? 

Já faz algumas semanas que vivo numa balança que não se equilibra. Meu emocional tem estado em estado de alerta. Passei o sábado entre falar sobre todas as circunstancias que me rodeiam que não consigo não pensar nelas, e chorar. Daí respirava conseguia acalmar meus ânimos e andava e algum outro pensamento surgia e eu falava e depois chorava. Chorei no restaurante, chorei na rua, chorei em casa, que desespero real! Não que eu ache que o ato de chorar deva carregar um peso muito grande. Para mim chorar é normal. Chorar não significa sofrer, significa sentir. Meu corpo sente muito nas suas lágrimas, que no comparativo comigo mesma, poucas vezes são de tristeza. Normalmente é desespero (com pensamentos obsessivos ou angustias intermináveis que o coração e o cérebro se juntam para desenvolver) ou emoção. Receber amor por exemplo me faz chorar muito. O que na verdade nunca entendi, já que sempre recebi muito amor. Mas acho que também de alguma forma fui educada a achar que não merecia esse amor. E isso é uma questão complicada. O que nos faz merecedores do amor alheio? Porque ele é tão importante? Será que meu medo de errar e minhas angustias estão ligadas de alguma forma à maneira com que vejo o amor entre pessoas?
Vixi! Ficou cafuzo. E no entanto, faz um certo sentido para mim.. 
Me pergunto se escrever me deixa mais forte? Se pensar no assunto diminui sua intensidade? Se investir todo dia um pouco do meu tempo, não faz o meu projeto mais perto de se tornar real? Se um pouco nos dias difíceis basta? Se vou de fato conseguir transpor meus medos? Se preciso transpor meus medos para ser corajosa, ou se coragem depende de ação e não ausência de medo?
Depois de tudo isso me resta uma última pergunta: o que fazer da tal frase "o objetivo da vida é ser feliz"?







Vidro de aquário

Conversando com uma amiga sobre se engajar mais em um projeto social, ela me disse "eu quero fazer mais do que só falar". Se quere...