segunda-feira, 4 de março de 2019

"O objetivo da vida é ser feliz"

Ausência de felicidade e infelicidade não são a mesma coisa. Seja pelas palavras serem parceiras (felicidade e infelicidade) ou por qualquer outra razão (simmm pasmem podem, e normalmente existem, muitas razões para uma coisa ser ou acontecer) a gente acabou criando a ideia de que qualquer coisa que não é felicidade é algo ruim e que não deveria estar acontecendo ou sendo vivido e sentido por nós. A não ser é claro se estiver no lado dos pensamentos positivos.... o que também não faz sentido visto que euforia e felicidade, por exemplo, são coisas diferentes. 
O me leva a querer esculhambar o idiota que inventou que "o objetivo da vida é ser feliz". Que porra é essa?!? É claro que estou sendo muito simplista quando digo que "a" pessoa que "decidiu".
Mas isso não muda o fato de que uma grande parte da população que de alguma forma se conecta com a minha vida seja por nacionalidade, tipo de trabalho, crenças religiosas e pessoais, acredita nisso. E o que vejo, em mim e em muitos é uma grande angústia e falta de amor próprio que tem como um de seus gatilhos justamente essa porcaria de objetivo de felicidade absoluta. 
Entendo que para algumas filosofias, como a que sigo, a ideia de felicidade absoluta está ligada a saber lidar com as intempéries da vida. "A dor é inevitável, o sofrimento é opcional" linda frase, mas a gente tem que estar muito bem conosco mesmo e com as fortalezas do coração e da alma bem sedimentadas para conseguir não sofrer diante da dor.

No momento não sinto dor, mas estou sofrendo. O porquê disso me é muito difícil de entender. Mas vem de um grande medo de não conseguir, junto com um grande medo de errar, salpicado de desespero de estar tão atrás nas coisas que quero conquistar, coroado com a agonia de ter que aprender tudo novo e de alguma forma com esse "novo" conseguir fazer as coisas que quero conquistar darem certo. E volta ao primeiro módulo do ciclo vicioso... 
É tragicômico. Sou super cri cri, detalhista. Isso deveria ser um céu para alguém que tem o próprio negócio. Mas não, justamente por ser detalhista não consigo me alçar na "big picture". Claro, tenho sonhos grandiosos. Trabalhar com muitas pessoas, ter um sistema que gira quase sozinho... mas quanto mais vejo e pesquiso, mais me desespero. E isso já está acontecendo há algumas semanas.
Um passo de cada vez, um dia de cada vez, uma frase de cada vez..... exaustivo e triste ao mesmo tempo. Triste porque com tanta possibilidade fico presa na dificuldade. "As pessoas bem sucedidas são aquelas que conseguem transpor a dificuldade." Ai meu caceta! E não para nunca?! 
E no meio de tudo isso vem a porra da culpa. Tem gente lutando pelo pão de cada dia, pelo direito de ser e estar. Machismo, racismo, homofobia, idiotice,... tudo isso aí banhando de lama venenosa gente boa que usa toda sua energia e mais um pouco para lidar com essas merdas o dia todo e ainda fazer o do dia a dia. Mas ai convenhamos, o que que estou dizendo? Que eu queria sofrer de todas essas coisas para então poder sofrer pelas que de fato me acometem? Ou que meus medos e problemas sao menos importantes do que os de outras pessoas?! Essa parte acho que de fato merece atenção porque apesar de meus problemas terem 100% de impacto em mim, eles são menores do que o de várias pessoas... mas porque isso não diminui minha sensação? Porque isso não melhora as coisas? 

Já faz algumas semanas que vivo numa balança que não se equilibra. Meu emocional tem estado em estado de alerta. Passei o sábado entre falar sobre todas as circunstancias que me rodeiam que não consigo não pensar nelas, e chorar. Daí respirava conseguia acalmar meus ânimos e andava e algum outro pensamento surgia e eu falava e depois chorava. Chorei no restaurante, chorei na rua, chorei em casa, que desespero real! Não que eu ache que o ato de chorar deva carregar um peso muito grande. Para mim chorar é normal. Chorar não significa sofrer, significa sentir. Meu corpo sente muito nas suas lágrimas, que no comparativo comigo mesma, poucas vezes são de tristeza. Normalmente é desespero (com pensamentos obsessivos ou angustias intermináveis que o coração e o cérebro se juntam para desenvolver) ou emoção. Receber amor por exemplo me faz chorar muito. O que na verdade nunca entendi, já que sempre recebi muito amor. Mas acho que também de alguma forma fui educada a achar que não merecia esse amor. E isso é uma questão complicada. O que nos faz merecedores do amor alheio? Porque ele é tão importante? Será que meu medo de errar e minhas angustias estão ligadas de alguma forma à maneira com que vejo o amor entre pessoas?
Vixi! Ficou cafuzo. E no entanto, faz um certo sentido para mim.. 
Me pergunto se escrever me deixa mais forte? Se pensar no assunto diminui sua intensidade? Se investir todo dia um pouco do meu tempo, não faz o meu projeto mais perto de se tornar real? Se um pouco nos dias difíceis basta? Se vou de fato conseguir transpor meus medos? Se preciso transpor meus medos para ser corajosa, ou se coragem depende de ação e não ausência de medo?
Depois de tudo isso me resta uma última pergunta: o que fazer da tal frase "o objetivo da vida é ser feliz"?







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